segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Conta aí: A vida universitária em Coimbra

Por Jéssica Costa*


Aqueduto de São Sebastião


Chove em Coimbra.


No final de setembro foi a primeira semana de aulas na Universidade de Coimbra e de adaptação à casa nova. E também foi a do primeiro almoço feito em casa, por mim, sozinha - como quem me acompanha no Facebook já sabe, porque fiz questão de evidenciar publicamente meus dotes culinários. 


Primeiro almoço vegetariano à brasileira feito por mim mesma na Europa

Meus hábitos, sem dúvida, estão mudando. Não vejo mais TV, por exemplo (não porque eu não queira, mas porque não tenho uma). Em compensação, meu computador agora é quase uma extensão do meu corpo, já que a internet tem sido uma ferramenta fundamental pra eu manter contato com minha família e meus amigos (que são também minha família) e, assim, me manter minimamente sã (risos).


Dentre as descobertas dos últimos dias estão a de que Fela Kuti é um som ótimo para ouvir enquanto se cozinha e que a língua italiana é a mais linda e sonora da face da terra (estou fazendo aulas e tendo um caso de amor com cada palavra nova que aprendo *.*). Também descobri que vou voltar para Juiz de Fora com as pernas torneadas, porque quase todos os dias (às vezes, mais de uma vez por dia) eu preciso subir SÓ 125 degraus da escada monumental da Universidade de Coimbra para ir para aula - não é à toa que ela é chamada de “monumental”.


Universidade de Coimbra

Acho válido pontuar que me sinto muito em Hogwarts andando entre os estudantes com suas togas negras pelos corredores daquela Universidade de Coimbra que tem...o quê? Só uns 700 e poucos anos. As meninas aqui também não penteiam o cabelo e não sabem o que é chapinha (me identifico!) e andam por aí esvoaçando suas capas pretas pelas ruas com outras Hermiones e Harry Potters... não tem como não se sentir numa escola de bruxaria. Acho divertido isso! 


Hermiones e Harry Potters


Pra fechar a semana, em um único dia, sexta-feira, eu consegui:


1. Me perder nas ruas estreitas de Coimbra - e descobrir lugares, e me apaixonar perdidamente por essa cidade e viver uma das experiências mais incríveis da minha vida (porque eu não “me perdi” no sentido figurado, eu fiquei sem saber onde eu estava de verdade - e foi lindo!);
2. Assistir a uma apresentação de experiências científicas, incluindo bolhas de sabão que explodem com fogo;

3. Descobrir que eu moro a dois minutos de uma das melhores baladas de Coimbra;

4. Dançar forró, Ragatanga, “Novinha, mãos para o alto”, e “PRE-PARA”, passando ainda por “Anna Júlia” e “Macarena”, como se isso não fosse algo realmente constrangedor e deprimente.



Ontem fiz novos amigos portugueses, que conhecem as novelas brasileiras melhor do que eu, que sou (quero dizer, era - porque agora não tenho TV) noveleira, e me apresentaram ao 'Pimba', um tipo de música popular portuguesa (e olha, Mr. Catra pega super leve nas letras se comparado ao Quim Barreiros!). 



À sério: não tem nada neste mundo que pague a troca cultural que estou vivenciando aqui, e já não tenho dúvidas que essa é a melhor parte do intercâmbio: as pessoas. Hoje a única certeza que eu tenho é de que só a vida compartilhada vale a pena.





*Jéssica Costa é aluna do curso de História da Universidade Federal de Juiz de Fora e está realizando intercâmbio acadêmico na Universidade de Coimbra, onde ficará durante seis meses. Ela escreverá mensalmente contando sua experiência em terras lusitanas para a gente. Aguardem!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Carvalhos: Terra das trilhas e das cachoeiras



O meu primeiro post sobre as cidades brasileiras tinha que ser sobre a melhor cidade para aqueles que buscam por paz, tranquilidade e ar puro: Carvalhos! Cidade onde nasci e fui criada, e na qual não consigo ficar mais de um mês longe. Ir para Carvalhos significa recarregar as energias, desestressar, fugir da realidade e voltar com a solução para todos os meus problemas e o discernimento para conseguir resolvê-los.

Se você não conhece Carvalhos, está perdendo a oportunidade de conhecer o paraíso. E o melhor: é uma viagem super barata.  Quem pensa que só porque a cidade tem somente 4.556 habitantes (censo 2010), ela não tem atrativos, está muito enganado. Nesse post, você verá que para aproveitar tudo que Carvalhos tem para oferecer, é preciso ficar uns bons dias por lá.


Ecoturismo em Carvalhos


O forte da cidade com certeza é o ecoturismo. Conhecida por suas belas paisagens e cachoeiras, Carvalhos possui cerca de 70 quedas e mais de 400 km em trilhas para a prática de off-road. A cachoeira mais famosa e visitada é a da Estiva, com uma queda de 70 metros. Também são muito conhecidas as cachoeiras do Funil, dos Franceses e a Prainha. Eu, particularmente, frequentava muito a cachoeira Sá Rita, no Muquém, durante a minha infância. Na página Passeio Ecológico Carvalhos Minas Gerais você fica por dentro do que está rolando de ecoturismo na cidade.

São paisagens deslumbrantes e relaxantes. Ideais para você simplesmente sentar e não pensar em nada. Ou, reunir os amigos para uma cervejinha em meio a natureza. O camping também pode ser uma prática excelente, principalmente na cachoeira da Estiva, que já possui uma estrutura que facilita a montagem de barracas.

Cachoeira da Estiva

Cachoeira da Estiva


As trilhas de motos e bicicletas são famosas na cidade. Reza a lenda que até o ator Reinaldo Gianecchini já passou com sua moto por lá. Na festa de 12 de outubro, quando é comemorado o aniversário da cidade, sempre há eventos voltados para o ecoturismo. Esse ano, foi a vez do cicloturismo. Foram inúmeros ciclistas locais e de outros lugares percorrendo pelas encantadoras trilhas da cidade. Na página Pedaleiros de Carvalhos você encontra informações sobre eventos voltados para os ciclistas que são realizados por lá.


Circuito Brasileiro de Cicloturismo em Carvalhos


Circuito Brasileiro de Cicloturismo em Carvalhos

Outra grande atração ecológica em Carvalhos é o Pico do Muquém, com altitude aproximada de 1.800 m acima do nível do mar e com uma vista maravilhosa. Em 2007, eu me arrisquei a subir até o pico para conhecer essa famosa e deslumbrante paisagem. Foi muito cansativo, mas valeu a pena. Entre bagunça, conversas, risadas e muitas fotos e vídeos, gastamos 12 horas para ir e voltar. Mas fizemos o caminho até a trilha à pé. Esse percurso pode ser feito facilmente de carro. A subida leva umas três horas.

A minha ida ao Pico foi uma aventura. Ninguém sabia direito o caminho. Erramos várias vezes o trajeto, o que nos fez perder muito tempo e passar por lugares mais complicados. Somente um amigo, o Diógenes, tinha ido lá uma vez. Levamos uma corda super fina e foi bem complicado subir por um estreito espaço na pedra, entre o pico e um abismo. Até perigoso, eu digo. Mas foi INCRÍVEL! Uma das melhores experiências da minha vida.

Meu conselho: se decidir fazer esse passeio, procure alguém, um guia, que conheça bem o caminho e tenha os equipamentos adequados.

Indo para a trilha do Pico do Muquém

Escalando o Pico

Vista do alto do Pico do Muquém


Também encontra-se no município o Pico do Calambau e dos Três Irmãos, que juntamente com o do Muquém, formam a Serra dos Três Irmãos. Há também o Pico do Quilombo (Serra do Quilombo), a Serra da Aparecida e a Serra do Grão-Mogol.


Passeios de finais de semana em Carvalhos


Para os que não curtem muito a adrenalina dos passeios de ecoturismo, há a opção de visitar os relaxantes pesqueiros. Você se sentirá dentro desses programas de TV que mostram lugares lindos, envoltos por natureza, perfeitos para descansar.

No Pesque e Pague Cafundó, você pesca seu próprio peixe, para levar ou comer na hora. São deliciosos. E você não pode deixar de experimentar as pingas artesanais de sabor e conhecer o alambique. São quase 25 sabores diferentes. Minhas recomendações para as mulheres são os sabores de pêssego, goiaba e manga, que possuem mais o gostinho da fruta e menos o da pinga. Já para os homens, os de pitanga e jabuticaba são os mais fortes.

Você também pode se distrair com a sinuca ou optar por deitar na rede e não fazer nada. Somente escutar as músicas no estilo sertanejo raiz, com as quais o Francisco Carlos sabiamente harmoniza o ambiente tornando-o aconchegante e familiar.

Pesque e Pague Cafundó


Na Represa do Barulho e nas cachoeiras Prainha e Estiva, muitos vão equipados com comidas e bebidas para passar à tarde bebendo, nadando, rindo com os amigos e contemplando um belo visual. Ou apenas pensando na vida. Outros vão nesses lugares para tomar um sol e ficarem bronzeados para o verão, que está vindo por aí (algo que eu estou precisando seriamente).

Outro local que não fica exatamente em Carvalhos, mas é muito apreciado pelos Carvalhenses é o Rancho Macota. Pertencente a cidade de Serranos, lá é possível ter uma tarde super agradável, pulando de tirolesa e nadando.

Baladas em Carvalhos


Nos finais de semana, sem festas, exposições ou eventos na região, os carvalhenses saem para beber nos bares da cidade. Os locais mais populares são os lanches da Angelita e do Teddy. Mas, não se pode ir embora para casa sem antes tomar uma pinga no trailler do Tchê. Pode até ser com groselha, para os mais fracos. O Bar do Décio é famoso pelas pizzas, pastéis e ideal para quem quer jogar uma sinuca. A D'graus Dance é parada obrigatória para quem gosta de dançar. Atualmente, acho que ela está fechada, mas sempre tem uma danceteria rolando na cidade. (Ahhh!!! Como não lembrar dos tempos da Verão Vermelho, quando eu e minhas amigas saíamos da aula na sexta à noite e entrávamos na danceteria somente para ouvir as músicas do momento.)

Lanche da Angelita
Teddy's lanche

As baladas têm datas certas na cidade e região. Os meses mais propícios são os de junho e julho, em que praticamente todo final de semana há algum evento na zona rural da cidade ou nas cidades vizinhas. As principais festas são:

06 de janeiro – Festa de Reis nos Franceses
20 de janeiro – Forró na Igreja em comemoração ao Dia de São Sebastião.
22 de fevereiro – Carnaval antecipado de Aiuruoca (normalmente é uma semana antes do Carnaval Oficial, lembrando que a data do Carnaval muda de ano para ano.)
01 a 04 de março – Carnavalhos
09 e 10 de junho – Tradicional festa de São Lázaro na comunidade Múquem. Vá preparado para muito, mas muito frio. Quase chega a nevar.
12 e 13 de junho – Festa de Santo Antônio no Carimbá
24 de junho – Festa de São João na cidade vizinha de Seritinga
29 de junho – Forró na Igreja em comemoração ao dia de São Pedro
19 e 20 de julho – Exposição na cidade de Serranos (a data varia de ano para ano)
26 e 27 de julho – Expoliber ou exposição na cidade de Liberdade (a data muda de ano para ano)
01 e 02 de agosto – Festa na comunidade dos Franceses
07 de Setembro – Festa na cidade de Serranos
Setembro - Não lembro a data exata, mas tem festa na cidade de Liberdade
12 de outubro – A festa mais aguardada da região, exposição em Carvalhos, quando você encontra pessoas que há anos você não via e se diverte horrores nos shows e bailes, em quatro dias de festa.
31 de dezembro – Réveillon e aniversário da cidade de Seritinga.



Carnavalhos



Exposição de Serranos com Paulinho Tequila ao fundo - Toda exposição é tradição tomar essa tequila

Exposição de Carvalhos em 12 de outubro

Ufa! Tem muita coisa para se fazer em Carvalhos. É só ter disposição! Bem, como esse é um blog sobre a minha experiência pessoal com cada cidade, essa é a minha visão de Carvalhos. Mas quero saber a vivência de vocês com a cidade. Achou que está faltando alguma coisa? Quer adicionar informações a esse post? Comenta aqui ou entre em contato.


Até o próximo passeio!  

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Conta aí: Aarhus, Dinamarca - A menor cidade grande do mundo

Por Lucas Mendes de Paiva*




Viajar é descobrir que o mundo não é tão grande; é encontrar o mundo que está em você, encontrar-se. Um tanto filosófico, eu sei, mas esse pensamento expressa o aprendizado que tive ao me lançar em uma experiência incrível, em um dos menores países [em extensão] e um dos maiores [em diversão]: a Dinamarca.

Aventurar-se em pleno inverno dinamarquês, com temperaturas abaixo de zero, sem nunca antes ter vivenciado morar em outro país: esse é o barato. Morei em Aarhus – a segunda maior cidade do país. Bom, falando assim até parece ser uma cidade grande, mas não é. E isso é, na verdade, seu charme maior: ser grande e viva (em parâmetros dinamarqueses), mas pequena, estudantil, bucólica (nos nossos parâmetros). Não é à toa que a cidade é conhecida como “the world’s smallest big city”.

A cidade oferece incríveis opções, diferentes atrativos, grandes diversões, múltiplos bons momentos. As praias não são tão atraentes como as brasileiras e a água, bom, é na Dinamarca, mas vale a diversão com amigos. Os parques são paradas obrigatórias, primeiro porque são mesmo pontos de encontro para os locais – seja pra um piquenique, uma corridinha, um bom papo ou uma cerveja ao meio dia – o que não é nada estranho. Não importa se Deer Park, se Mindepark [praticamente o jardim da casa de verão real], Botanisk Haven, ou o fantástico parque da Aarhus Universitet, todos trazem belezas incríveis, brancos no inverno ou coloridos no verão.

Mindepark

Botanisk Have
                           
Den Gamle By [The Old Town] é outra experiência imperdível. Estando em Aarhus, não faça como eu [que só a conheci na última semana]. Encante-se com as casas mais antigas da Dinamarca, todas reunidas nesse espaço que é um charme, com várias atrações e umas comidinhas de vovó que matam até a saudade do Brasil. Não muito longe dali, o ARoS Museum – sendo mais turístico que nunca – é [fato] um dos museus mais legais que já entrei, mais até que o Louvre. Bom, disse “mais legal”, não o mais especial ou importante ou arrebatador ou o que quer que seja. Seu “Rainbow Panorama”, a 43 metros de altura, permite uma visão multicolor, com um visual surpreendente da cidade.

Den Gamle By

ARoS Museum

Aarhus é tudo isso. E tem mais! A pequena cidade certamente deixa grande saudade para aqueles que nela passam apenas 1 dia, 1 mês ou mesmo 1 ano.

*Lucas Mendes Paiva é jornalista e morou seis meses em Aarhus, na Dinamarca, onde realizou seu intercâmbio acadêmico.

domingo, 29 de setembro de 2013

Acabou o intercâmbio, não as viagens!



Enfim, pessoal, voltei para o Brasil dia 07 de março de 2012 (demorei bastante para terminar de narrar minhas viagens né). Depois veio a formatura do fundo, veio a defesa da monografia, veio o diploma, veio um namorado, veio um emprego e outro novo emprego. E o blog foi só ganhando força.

A partir de agora, irei contar para vocês sobre as viagens que eu fizer ao redor do Brasil (e espero que sejam muitas) e sobre algumas cidades que já conheço e indico vocês a conhecerem. Também falarei a respeito de experiências marcantes vividas por mim no jornalismo.

Também teremos a sessão Conta aí! onde outras pessoas irão narras suas experiências em viagens aqui no blog e dar muitas dicas bacanas para vocês. E irei inaugurar a sessão Barlist, com uma lista de bares de Juiz de Fora que quero conhecer ou que faz tempo que não vou e quero retornar. A cada bar da lista que eu riscar, conto aqui como foi, o que provar, o que beber e se vale ou não a pena ir. Vou dar uma notinha para o bar aqui.

Aguardem os próximos posts!


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Conta aí: Polônia - Um país marcado pelo passado

Por Thamara Paiva*




Quando minhas queridas amigas Kellyta e Chris saíram de Milão e rumaram de volta ao Porto, eu fui para uma outra aventura: conhecer a Polônia e visitar Caroline, minha colega polonesa que dividia o quarto comigo durante meu intercâmbio na cidade de Covilhã, Portugal. Estava ansiosa e muito empolgada para chegar num dos países que mais queria conhecer.

A moeda da Polônia é o Złoty e a diferença para o real não é muito grande. No entanto, como estava acostumada a contar tudo em euro me senti rica!


Meu roteiro ficou por conta da minha amiga Caroline que é de uma pequena cidade no interior da Polônia chamada Sulejów. Cheguei no aeroporto de Łódź num domingo à tarde. Ele é bem pequeno e não muito afastado do centro da cidade, tem ônibus e o taxi varia em torno de 30zl. Eu aconselho pegar táxi porque a maioria das pessoas não fala inglês.

Antes de ir para a cidade da Carol, e levando em consideração que minha permanência na Polônia seria bem corrida, aproveitamos para andar um pouco pela segunda maior cidade da Polônia: Łódź.

Łódź

Quem gosta de tirar fotos com estátuas e não perde a oportunidade de simular uma conversa com elas vai adorar Łódź. Me deparei com diversas no meio da rua! A mais famosa é a do pianista ArthurRubenstein que fica em frente à casa onde ele morou.

Escultura do pianista Arthur Rubenstein


Outro ponto forte da Cidade são as construções com tijolinhos vermelhos que constituem uma das partes mais importantes da história da cidade.  Łódź nos tempos da Revolução Industrial despontou e foi o principal centro de produção têxtil do Império Russo. Um grande exemplo disso é o Manufaktura. Um antigo conjunto de fábricas têxteis que virou shopping. A estrutura foi conservada e do lado de fora tem uma espécie de praça bem bonita e muito grande.

Łódź é também conhecida pelas artes. Lá tem uma das escolas de cinema mais famosas da Europa e alguns filmes também usaram a cidade como cenário.  Não fui, mas vale a pena conferir o Museu do Cinema de lá. Rapidamente é possível conhecer pontos principais do centro da cidade, não precisa de mais que uma tarde. No domingo a cidade fica deserta, pouquíssimas pessoas nas ruas.

Com o frio que estava fazendo, Carol me aconselhou a tomar um copo de Grzaniec z pomarancza, um delicioso vinho quente com laranja. Imagine que um vinho já esquenta, quando é servido quente então... Sem contar que os polacos não curtem bebida fraca. Com mais um copo chegava bêbada na casa dos pais dela.

Vinho e manufaktura

Sulejów


Cheguei era fim de tarde. Uma cidadezinha com cerca de 7 mil habitantes. Os pais de Carol nos esperavam com todo carinho do mundo. Fui tão bem recebida que até parecia estar chegando à casa de velhos amigos brasileiros. Mas eles nunca haviam me visto antes e muito menos falavam português, nem inglês (o que é bem normal na Polônia). A conversa era bem engraçada. Com minha pouca experiência na língua polaca, entendia algumas palavras e com isso, às vezes, compreendia sobre o quê eles conversavam antes da Carol traduzir.

A agonia e ansiedade de Malgo, mãe da Carol, em querer me dizer as coisas era tanta que ela conversava olhando em meus olhos e eu compreendia toda a emoção. Foi uma das experiências mais incríveis de toda minha vida.

Mais surpreendente ainda foi encontrar com a irmã e o sobrinho da Carol, Kate e John, em um pub. John estava ansioso pelo encontro e eu mais ainda. Um doce de menino de 6 anos. Estudou palavras em inglês para conversar comigo e até desenhou o brasão da República Federativa do Brasil (o qual muito brasileiro nem sabe como é) e meu nome em polonês. Fiquei apaixonada.


John, Kate, Carol e Thamara

O prato que a mãe da Carol fez foi delicioso, embora eu não coma carne de porco normalmente. É claro que eles não precisavam saber desse detalhe. A bebida foi um tanto, eu diria BEM, exótica. Chama-se Grzane Piwo. Sim, cerveja quente. É uma mistura fervida de cerveja com groselha. E não é que fica boa? No início o paladar é estranho, porque o gosto da cevada fica bem realçado, mas depois acostuma. Eles realmente são preparados para o frio que faz lá.

Piwo

Durante a madrugada acordamos para pegar carona com o tio da Carol até a Cracóvia, onde pegaríamos um trem até Oświęcim para ver um pouco da triste história da Polônia no campo de concentração Auschwitz I.

Auschwitz


Depois da Carol passar por um conflito interno, ela decidiu que deveria me levar até o campo de concentração. O caminho é feito de trem, num visual ao mesmo tempo fantástico e melancólico. Foi a terceira vez dela lá e, ainda assim, a dor permanece visível em seus olhos.

Havia um grupo de alemães em excursão escolar e cruzamos com eles algumas vezes, quando Carol falava sobre o horror que tinha daqueles que foram responsáveis por muita dor.

Logo ao entrar no Campo nosso humor muda drasticamente. Não tem jeito de não se emocionar, principalmente quando temos uma vítima direta daquela tragédia ao lado. Em cada cômodo, cada casinha, em cada minuto tinha a sensação de estar dentro de um filme ou de um livro cuja personagem principal era a tristeza. É impossível tentar descrever tudo aquilo. É inevitável sair sem um peso imenso nas costas. Carol disse ter sido a última vez dela.

Entrada de Auschwitz I - No letreiro está escrito "Arbeit Macht Frei" que significa "O trabalho liberta" 


Campo de Concentração Auschwitz I

Fomos apenas no Auschwitz I, por escolha da Carol e eu achei até bom. Com uma manhã dá para visitá-lo. A entrada é gratuita, mas é legal comprar um encarte com um mapa e a explicação de alguns pontos. Já se preferir visitar tudo, acredito que um dia inteiro seja suficiente. Para saber mais do Auschwitz II – Birkenau você pode conferir dicas no post Campo de Concentração Nazista: Auschwitz sob as lentes de Fernando Priamo.
De lá pegamos um ônibus até a estação de trem e fomos à Cracóvia.

Kraków


A antiga capital da Polônia tem muita história e igreja para se ver.  Logo que chegamos procuramos um mapa, e já adianto que os distribuídos de graça não são muito bons. Melhor pesquisar bem antes.

Na Cracóvia foi tudo muito rápido também. Demos uma volta pela cidade à tarde, é bem fácil fazer tudo a pé. O primeiro ponto turístico foi a Praça do Comércio, na cidade velha, que conserva o Sukiennice como um bom local para se comprar souvenirs. O principal é o dragão. Tem dragão de todos os tipos e preços, cada um mais lindo que o outro. Na Praça está também a Basílica de Santa Maria que lembra bastante Praga.

Sukiennice


Basílica de Santa Maria


Depois fomos ao tão esperado Monte Wawel, onde estão o Castelo Real, a Catedral da Cracóvia e o Covil do Dragão, cada um com uma forma. Tudo muito lindo à beira do Rio Vístula. Para visitar o entorno não paga nada, mas para entrar nas dependências reais, na Catedral e no Covil paga-se uma taxa.

O castelo era a residência da família real quando a Cidade era a capital da Polônia. Ele possui diversas estruturas independentes, como a bela catedral, que contém diversas capelas laterais e guarda os restos de reis e nobres poloneses. Muito bonito mesmo e rapidamente dá para ver tudo. Mas vale a pena parar um pouco para contemplar o Rio Vístula, a paisagem é sensacional.

Ao descer do Castelo aproveite para passar pela Igreja de São Pedro e São Paulo que é outro ponto turístico da Cracóvia.

Rio Vístula
Palácio Real


Catedral do Castelo


Ao fim do dia fomos para a casa de uma amiga da Carol que nos hospedou. O prato do dia foi Pierógi, que lembra tortellini, mas massa é diferente. São mini pasteizinhos com diversos tipos de recheio. É possível comprar no supermercado congelado e depois cozinha e frita, mas com pouquíssimo óleo, é só para dourar mesmo.

Pierógi


No último dia na Polônia, antes de voltar a Łódź fomos dar uma passada pelo bairro judeu. Estava nevando muito, então não consegui ver muita coisa. De qualquer forma aconselho dar uma volta por ali e comer uma Zapiekanki. Huummmm, só de lembrar me dá água na boca. É como se fosse uma pizza, mas é um pão gigaante com o recheio por cima. Delicioso demais. Vale o almoço porque é difícil dar conta de tudo.

Zapienkanki


Bairro Judeu



Igreja Judaíca



Depois de tanta correria voltamos para Łódź onde eu pegaria meu voo e deveria me despedir de uma amiga e de uma boa fase da minha vida que eu saberia jamais voltar.

Espero ter contribuído para algum roteiro de viagem e ter mostrado que a Polônia é um ótimo destino.

A música polaca indicada é a Jestés Szalona do Boys Szalona, adoro!



Gostou da viagem da Thamara? Quer contar sua experiência também? Entre em contato!

*Thamara Paiva é jornalista e morou seis meses em Portugal, na cidade de Covilhã, onde realizou seu intercâmbio acadêmico. 

domingo, 15 de setembro de 2013

Pontos Turísticos do Porto – Parte II



No post passado, falei sobre os pontos turísticos do Porto localizados na região central da cidade para quem vai fazer uma rápida visita por lá. Agora, falarei dos pontos turísticos do Porto um pouco mais afastados do centro, mas que são incrivelmente lindos e quem tiver a oportunidade, tem que ir conferir. Para conhecer todos esses pontos turísticos, sugiro uma permanência de uma semana na cidade.

Palácio de Cristal


O Palácio de Cristal é um amplo parque, com belos jardins, pavilhões esportivos e a Biblioteca Municipal Almeida Garrett. Para aqueles que gostam de passeios românticos, esse lugar é perfeito. Já para quem vai morar por um tempo na cidade, eu recomendo ir lá correr, respirar ar puro e admirar a natureza.








Fundação Serralves


A Fundação de Serralves, ou Museu Nacional de Arte Contemporânea, é o museu mais visitado de Portugal. O prédio que o abriga foi construído na década de 30, obra do premiado arquiteto Álvaro Siza. O museu possui uma coleção de obras de escultores, pintores e designers portugueses. A Fundação conta com um enorme jardim estilo o Palácio de Cristal, mas com o dobro do tamanho. É outro passeio romântico e encantador. Não deixe de conhecer!








Estádio do Dragão - F.C. Porto


Emblemático e imponente, o Estádio do Dragão é já uma referência inevitável na vida desportiva e cultural da cidade do Porto. Palco de Emoções, o estádio do F.C. Porto foi inaugurado em novembro de 2003. É possível realizar um tour pelo estádio, onde você conhecerá tanto a história do estádio como tambám do F. C. Porto, conhecerá o camarote presidencial, o gramado, os Balneários (vestiário para nós), entre outras atrações. Para realizar o tour, o preço é de EUR 10,00. Os amantes do futebol podem ficar de olho nas datas e ainda conferir um jogo da Eurocopa ou da Champions League. A experiência é válida e emocionante.



Castelo do Queijo


O Forte de São Francisco Xavier foi construído em 1662 no local chamado "do Queijo", para proteger a cidade dos ataques da esquadra espanhola. Por isso, o apelido de Castelo do Queijo. Rodeado por um fosso, apresenta guaritas nos cantos. No interior, alberga a residência do governador da época e uma capela. Atualmente, é palco de algumas exposições temporárias.

Foz do Douro                


A Foz do Douro é o local onde o Rio Douro encontra o Oceano Atlântico. O passeio marítimo que acompanha o Rio até ao mar, as esplanadas e jardins que encontrará, permitirão ver as bonitas paisagens desta zona.

Matosinhos


Matosinhos é a praia mais famosa do Porto, local ideal para apreciar a beleza da praia, deixando-se embalar pelo som das ondas do mar, com as suas diversas tonalidades e aromas que encantam os sentidos. O pôr-do-sol é o momento mais encantador. Matosinhos é um dos poucos lugares do mundo onde o sol se põe no mar. A visão é deslumbrante! Também não deixe de prestar atenção à arquitetura contemporânea do lugar.








Onde comprar


Cedofeita: é hoje em dia um dos centros sociais e comerciais mais importantes da cidade do Porto. Os espaços verdes são também uma marca desta zona da cidade. A Rua de Cedofeita é uma das artérias mais emblemáticas da freguesia, local de passagem obrigatória para quem procura o comércio e pretende conviver com os hábitos e tradições da Cidade. Lá se encontram as Igrejas da Lapa e a Igreja de São Martinho de Cedofeita, sendo que esta última é considerada como a Igreja mais antiga do Porto.

Via Catarina: a rua lembra um pouco a Rua Halfeld de Juiz de Fora, movimentada e cheia de lojas e comércio. O shopping Via Catarina também é um gracinha. Local ideal para comprar souvenirs para a família. É aqui que fica o Café Majestic e também a Praça da Batalha. Diversos cafés e hotéis tornam esta praça um dos pontos mais movimentados e visitados pelos turistas da cidade do Porto.

Primark: umas das lojas mais famosas da Europa por suas lindas roupas e casacos e seu preço adorável. A Primark fica no shopping ParqueNascentes. É bem longe do centro, mas vale muito a visita. Você irá comprar muitas coisas bonitas, de qualidade e por preços incríveis! Para chegar lá, você pega o métro na Trindade sentido Fânzeres e desce na estação/paragem Levada. O shopping fica a 2min a pé da estação.

Outlet: Na última quinta de todo mês, todas as lojas do shopping Vilado Conde The Style Outlet, entram em liquidação. A perdição para as mulheres. E para os homens também. Você compra tênis da Nike por EUR 10,00. Lá você encontra as lojas das marcas como Nike, Diesel, Lacoste, Levis, Puma, Reebok, Polo Ralph Lauren, Calvin Klein, Carolina Herera, Zara. TODAS EM LIQUIDAÇÃO! Tudo com até 80% de desconto!!!! É uma loucura! O lugar também fica super longe do centro. Mas você já percebeu que vale a ida né. Para chegar lá, o shopping oferece um Mini-Bus gratuito. Ele funciona entre as 09.30h e as 23.30h, sai da paragem de métro Modivas Centro  e vai até ao espaço comercial, fazendo também o percurso inverso.

Aonde ficar no Porto


Neste item, eu não saberei dar muitas opções para vocês, pois não fiquei hospedada em nenhum hostel. Mas, as meninas que moraram comigo, ficaram uma semana em um hostel chamado Spot. Elas pagaram EUR 20,00, um preço salgado, eu sei. Mas o hostel é maravilhoso e fica exatamente no centro de Porto. E os donos são brasileiros.

O que comer no Porto


Vinho do Porto: As variedades são muitas. O importante é degustar esse delicioso vinho. Qualquer restaurante que você sentar e pedir, com certeza terá no cardápio uma ótima sugestão. Não deixe de provar, hein!

Francesinha: é um prato típico e originário da cidade do Porto. A francesinha é constituída por linguiça, salsicha fresca, fiambre, carnes frias e bife de carne de vaca ou, em alternativa, lombo de porco assado e fatiado, coberta com queijo (posteriormente derretido). É normalmente guarnecida com um molho à base de tomate, cerveja e piri-piri. Os acompanhamentos de ovos estrelados (no topo da sanduíche) e batatas fritas são facultativos. O molho costuma ser bem apimentado. Eu achei uma delícia. Mas é aquele tipo de prato que você ama ou odeia. Não tem meio termo. É muito grande. Vale pelo almoço. Eu nunca consegui comer um inteiro. O preço é em torno de EUR 6,00.




Bacalhau: Os restaurantes do Matosinhos são os melhores lugares para você pedir um bacalhau. Na Ribeira também há restaurantes tradicionais que fazem deliciosas bacalhoadas. Até mesmo no Majestic Café você consegue provar essa deliciosa especiaria.

Night no Porto


No Porto há baladas todos os dias da semana. Para quem gosta de botecos, eu indico o Piolho, o Armazém do Chá e a Adega, todos localizados próximo a Praça dos Aliados, região central. Para aqueles que preferem um lugar mais glamuroso, eu indico o Vintage, que fica próximo a rotunda da Boa Vista. Na Foz do Douro, você encontra os barzinhos mais badalados da cidade. A danceteria com o mesmo nome também é muito legal. Dizem que os famosos do Porto costumam frequentar esse lugar. Mas o precinho lá é um pouco salgado. A entrada gira em torno de EUR 10,00.  A Havana Club também é uma danceteria famosinha e de elite. Mas se prepare para passar raiva lá. Para entrar, não tem fila nem ordem de chegada. É de acordo com quem o promoter escolhe e vai com a cara. Por isso, se quiser entrar, vá vestido de forma bonita e elegante. No Porto by Night você encontra todas as baladas que estão acontecendo no Porto.

Baladas mais populares são a More Club, a Pitch e o Vila Club. O Vila e a Pitch são os locais que tradicionalmente os Erasmus realizam as festas. A Pitch é bem legal e possui três ambientes. Já a More anima mais na quarta-feira. Diversão é o que não falta na cidade. Esses são os lugares que eu frequentei, mas, com certeza, tem muitas outras opções, que você irá descobrir por lá.


Noite na More Club


Eu já falei aqui sobre a rotina na cidade. Lá, você encontra outras dicas de lugares para ir e coisas para fazer.

Tenho que confessar que, mesmo morando 6 meses na cidade, faltou muitos lugares para eu conhecer. Espero que se você for passar tanto tempo lá, não faça como eu. O frio, a chuva e a preguiça são coisas difíceis para mim de se enfrentar. Mas é sempre válido sair para turistar. Não deixe a preguiça vencer hein. Abaixo segue outros pontos turísticos que eu queria ter ido e não fui. Se você for, entre em contato e me conte como foi.

- Pelourinho
- Planetário
- Faculdade de Arquitetura
- Capela das Almas
- Casa do Infante


No meu último dia no Porto, fui visitar os lugares que eu mais gostava na cidade. E, claro, a Ribeira foi um deles. É ela que está no vídeo abaixo da minha despedida!